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Opinião - 25/07/2012

Os juros no Brasil são abusivos?


Ultimamente, o Mercado de crédito vem ocupando lugar de destaque nos noticiários. Seja pela queda dos juros, seja pela alta da inadimplência. Na semana passada, acompanhamos notícias sobre os juros do cartão de crédito, com números comparando o Brasil (323% ao ano de juros) com alguns outros países da América Latina (média de 42% ao ano de juros). Essa pesquisa sugere juros abusivos no Brasil. Gostaria de propor uma análise racional desses números abrindo o espectro dos juros para algo mais amplo, como o Retorno sobre Patrimônio (termos conhecido em inglês como ROE – Return on Equity). Veremos que o Brasil não destoa dos demais países da América Latina e analisaremos os porquês desse aparente paradoxo Juros mais altos x Retornos Equivalentes.

Primeiro, definamos o que é esse retorno sobre Capital

O Resultado de uma empresa financeira é composto basicamente por 3 fatores: Receitas (juros e tarifas), Perdas (oriunda da inadimplência) e Despesas (Impostos, Custo de Captação, Despesas Administrativas, etc.). A resultante dessa conta é o Lucro.

O somatório das dívidas dos clientes é chamado de Recebíveis, ou Carteira de Crédito. Sobre esses recebíveis, a empresa é obrigada (por regulamentações) a alocar um valor de capital próprio. Essa regulamentação é vital para garantir a saúde do sistema financeiro.

Como toda análise econômica, precisamos avaliar o grau de retorno (Lucro) que um Capital está tendo. Isso é comparado com o retorno que esse capital (patrimônio) teria se estivesse rendendo aplicado no banco.

Exemplificando, se uma empresa tem uma carteira de R$ 1 bilhão, ela deverá alocar cerca de R$ 100 milhões (varia de acordo com o risco do produto, mas podemos assumir 10% como um patamar médio). Se essa empresa tiver lucros anuais de R$ 20 milhões, significa que ela tem retornos sobre patrimônio de 20% no ano, que no caso do Brasil seria maior que o valor do capital rendendo no banco (atualmente 8% ao ano).

O Raciocínio é que se o dinheiro render mais no banco, não vale o risco de rodar um negócio para lucrar menos

Uma pesquisa do FMI (Fundo Monetário Internacional), chamada FSI (Financial Soundness Indicator) revela, entre outros índices, uma comparação do ROE dos países. No Brasil, apesar da notícia dos altos juros (abusivos segundo alguns jornalistas), temos um patamar de ROE de 23,4% contra uma média de 26% comparando com países como Argentina (34,8%), Chile (22,9%), Colômbia (23,7%) e Peru (23,2%). Na China esse índice é 18%, nos Estados Unidos é 2,3% e no Reino Unido é 2,8%. Na Grécia é negativo.

Porque esse paradoxo Juros Altos e Retorno Médios?

No Brasil temos uma dinâmica de Receita bastante sui generis. Do volume de vendas com cartão de crédito, segundo a ABECS (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços) 71% são compras sem Juros. Ou seja, das vendas a crédito, apenas 29% tem juros incidindo. A Conclusão é simples, mas dolorosa: Poucos pagam por muitos!

Outra linha importante é a inadimplência. Para os cartões de crédito, cerca de 30% dos clientes estão sem pagar a mais de 3 meses. Para temos um comparativo dentro do próprio país, a carteira de financiamento de veículos tem inadimplência na ordem de 6%, ou seja, 5 vezes menor (e não é a toa que o juros é 10 vezes menor). Alguns fatores com fraca legislação penalizadora para os clientes maus pagadores, cultura de crédito ainda em formação e ausência de informações positivas podem explicar esses números.

Por último, analisemos as despesas. Temos conhecidos altos impostos e altos custos trabalhistas (um trabalhador de salário mínimo custo para a empresa cerca de 2 vezes seu salário quando adicionamos impostos e benefícios). Isso onera de forma direta o negócio de crédito (e todos os demais setores)

Conclusão

Avaliando o todo, não apenas os juros, percebemos que o negócio de crédito do Brasil figura em cenário nivelado com países de seu porte. Temos sempre que avaliar o todo e perceber de alguma forma custos de inadimplência, impostos, leis trabalhistas e etc. serão repassadas em alguma linha. Finalmente, percebemos que a dinâmica brasileira impõe juros altos para poucos e daí realmente a conta fica cara para quem se propõe a pagá-lo.

Fonte: Foco Econômico


 
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