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Empresas e Negcios - 15/02/2012

Crescimento de franquias exige cuidado na escolha


O pas deve receber cerca de 9.000 unidades de franquia neste ano, que se somaro s 90 mil existentes, segundo a ABF (Associao Brasileira de Franchising).

Apesar de o ndice de sobrevivncia desses negcios ser de 98,5%, o modelo reserva armadilhas -como qualquer outro. Mas diversos empreendedores s se do conta disso ao serem abandonados por franqueadores.

Adriano Agostini, 38, diz ter sido deixado de lado logo aps adquirir franquia do IWL (Instituto Wanderley Luxemburgo, de educao esportiva), em Vitria, em 2008.

A marca vendeu material com o mesmo contedo para uma rede de ensino -que abriu escola a menos de um quilmetro da unidade de Agostini. Por contrato, a franqueadora garantia que no haveria concorrncia da marca em raio de 50 quilmetros.

Em 2009, o instituto fechou, pouco depois de Agostini ter desistido do negcio. "Os administradores no estavam preparados."

Na Justia, ele pede R$ 470 mil de indenizao. Aps uma vitria, o caso voltou primeira instncia por ter sido julgado revelia (o IWL no se defendeu).

" ttica para adiar a deciso", diz Maurcio Costa, advogado de Agostini. Representantes do IWL no responderam s ligaes da Folha.

Processos como o de Agostini levam anos. Vicente Estevanato, 57, ex-franqueado da lanchonete Arby"s, ainda trava batalha judicial. A rede abriu em 1991 e fechou em 1999, por ter padres rgidos de qualidade e pouca rentabilidade. Guilherme Ferreira, diretor do grupo Bahema, antigo franqueador, diz sentir "certa responsabilidade". Mas afirma: "[Estevanato] fez a avaliao quando entrou".

Sigilo protege ao fora da Justia

Para resolver litgios de forma gil e sigilosa, franqueadores e franqueados determinam que eventuais desavenas sejam resolvidas por cmaras de arbitragem, instituies privadas que decidem conflitos sobre patrimnio.

No Conselho Arbitral do Estado de So Paulo so cerca de 40 casos por ano, diz a superintendente da instituio, Ana Cludia Pastore.

exatamente por causa da confidencialidade que futuros franqueados muitas vezes no tm acesso ao que foi decidido nas cmaras. Por lei, o franqueador deve relatar que processos judiciais enfrenta.

No h entendimento jurdico sobre o dever da marca listar casos em que a arbitragem foi usada, diz a advogada da ABF Edna dos Anjos.

"Os processos em arbitragem no so divulgados para potenciais franqueados, mas deveriam", diz Vanessa Baggio, advogada que representa 12 casos de franqueados. Em todos, ela tentou fazer acordo, sem sucesso.

Trs anos depois de ter adquirido franquia da rede Spoleto, Laerte Manduca, 76, fez acordo para sair do negcio.

No havia clientes suficientes, o que inviabilizava o negcio. Ele decidiu trocar de ramo e abriu uma loja de roupas no mesmo ponto.

O fim do contrato "foi tranquilo", diz. No houve multa por ter sado antes do prazo.

"Quando a unidade no vai bem, mais fcil fazer resciso amigvel", diz Renata Rouchou, diretora do grupo Trigo, dono da rede.

Fonte: Folha de So Paulo


 
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